sexta-feira, 12 de julho de 2013

Golden Gates (Em Construção)



GOLDEN GATES
by RICHARD YORK



  Parte 1: Bye Bye Baby – Introdução. 
               Faz dois meses desde que Derek se foi, e tudo o que vem em minha cabeça são perguntas certamente sem respostas. O destino não colabora com o plano dos apaixonados, eu e ele tínhamos planos de nos casarmos, termos uns dois ou três filhos (Alice, Aaron e Ariana), comprar uma casa ao leste de San Diego e construir uma lanchonete em que trabalharíamos os cinco e viveríamos felizes até a chegada de nossa velhice que seria quando nossos filhos nos visitariam todos os sábados no lar para idosos com nossos netos. Reunir-nos cada ano na casa de cada um para o natal e na virada do ano sentarmos na varanda do lar e observar os fogos exatamente à meia noite. Repito, o destino não colabora com o plano dos apaixonados. 


                              - Katie? – ouvi a voz de minha mãe ecoar dentro da casa vazia.

                              - Sim mãe – fechei a janela do quarto.

                               - Desça querida, está na hora de ir para o hotel, seu pai está nos esperando                                no carro! – limpei as mãos e desci as escadas olhando em volta.
                                            
                              Abri a porta de trás do carro e entrei. Cruzei as pernas e encostei a cabeça
                              no
vidro.

                              - Por que viemos para Los Angeles mesmo? – bufei.

                              - É para o seu próprio bem querida, San Diego não estava te fazendo bem,
                              você sabe o porquê. – minha mãe colocou seus óculos escuros. Fiquei
                             calada. 
 

               O som da água batendo na barragem é uma das melhores músicas americanas e espuma simboliza a orquestra, sair de casa para vir para uma cidade onde não conhece nada e ninguém não é difícil, mas fará você se tornar outra pessoa para conquistar novas amizades. Ter deixando Lexi e Chuck para trás não foi muito fácil, convivo com elas desde os cinco anos de idade, e depois de doze anos juntas acontece o Derek e sua grande idéia de ir ao parque com os amigos e me deixar sozinha no mundo. Não culpo. Ele era como uma criança e queria fazer tudo o que os outros faziam, essa foi só mais uma de suas peripécias em comum com elas (as crianças).
               O som das folhas da palmeira balançando me lembra de quando eu era pequena e meu pai tocava uma música para mim no piano, é bem antiga e alguns adolescentes de hoje não suportam esse tipo de gênero música. Jazz dos anos oitenta, é um dos melhores, tem tantas variações como Richard Cliff, Sarah Menescal, Marilyn Monroe, Herb Albert, Jamie Benson, Freddie Jackson e outro mais conhecido, o “rei” Elvis. A música escolhida era sempre Bye Bye Baby da senhorita Monroe, é dançante e eu e minhas amigas dançávamos com a melodia no deleite das brincadeiras de boneca.


                              - Pai, você pode ligar o rádio, por favor? – me deitei no banco.

                              - Ligue o rádio Mary! – ele rangeu os dentes.
              
                               - Bill, a menina pediu para que você o ligasse! – disse ela colocando o
                              “você” em evidência.



                              - Ah sim querida, o que quer ouvir? Richard, Sarah, Herb...? – ele estendeu
                              a mãe até o porta-luvas e começou a fuçar.



                              - Você sabe bem o que eu gosto! – soltei uma risada e logo a abafei com a
                              mão. – Bye Bye Baby! – sorri olhando para o espelho que dava visão para

                              trás. 



                              - Eu já sabia, estava com a fita em mãos. Só estava esperando você me
                              dizer. –  ele sorriu de volta franzindo a testa deixando suas linhas de

                              expressão mais expostas. 



               A doce voz de Marilyn e a extensão da pronúncia das palavras cantadas deixam no ar um cheiro psicológico de açúcar mascavo e baunilha fresca me transportando novamente ao passado, fazendo biscoitos de maizena doce com minha mãe e sujando toda a pia com o corante rosa do recheio. Tudo bem menininha, biscoitos de corações e recheio rosa com aroma de cereja para brincar com Chuck e Lexi de chá junto com as dezenas de bonecas. Cada uma trazia suas bonecas e as sentavam em volta da mesa rosa redonda em meu quarto e o chá só começava quando estávamos todas ao redor da grande mesa com as dezenas de bonecas de pano e porcelana. 


                              - Podem descer, tenho que estacionar a alguns metros daqui. – disse Bill. 

                              Desci do carro e esperei alguns minutos até minha mãe também sair e vir

                              até a porta do hotel onde eu esperava para fazer o check-in
                              - O que acha de irmos comprar algo para o jantar na praia? – minha mãe                               guardou algumas notas no bolso de trás da calça justa que estava vestindo
                              com a regata branca. 

                              - Boa idéia, preciso ver se as pessoas daqui jogam vôlei direito! – coloquei as                               mãos nos bolsos da frente para me esquentar, o tempo não estava favorável
                              as roupas que eu vestia.

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